quinta-feira, 7 de maio de 2015

Cinemandoadois #29: Ponte Aérea, 2015

Com o foco na eterna rixa entre paulistas e cariocas, a cineasta Julia Rezende traz a resposta para essas diferenças, o amor.


Que é muito difícil ver um filme nacional que não seja comédia pastelão ou  violência em favela é inegável, talvez por isso o novo filme da cineasta Julia Rezende chame a atenção por estar disponível em um grande número de salas pelo país. Ponte Aérea, segundo a cineasta, estava escrito há mais de 5 anos, porém só depois de emplacar o sucesso "Meu Passado Me Condena (2012)" foi que o projeto se tornou viável.


Contando a história do carioca Bruno (Caio Blat) e a paulista Amanda (Letícia Colin) o longa tem forte influência de "Encontros e Desencontros" da Sofia Coppola, logo no início um contratempo faz os protagonistas se encontrarem em uma conexão em Belo Horizonte, e a partir daí eles começam a tentar uma relação, apesar da distância de 432km entre as cidades que é o enfoque principal da trama.
Para o espectador não acostumado o filme tem uma tonalidade feminina, apesar de contar o ponto de vista de ambos os personagens, as cenas circulam entre a diferença de cada genêro e tiram a masculinidade obvia da tela, devemos creditar isso ao toque delicado da cineasta.


É difícil não perceber grandes clichês nos personagens como a paulista workaholic e o carioca menor-esforço, os diálogos também são muito quadrados o que não envolve quem assiste, talvez teria mais brilho se os atores, ambos muito talentosos, tivessem tido mais oportunidades de improvisar em seus textos. Temos a impressão que assistimos em algum momento a uma peça de teatro, do texto padrão e as atuações previsíveis.


A atriz Letícia Colin, foi bastante ousada em sua atuação e leva sua sexualidade e delicadeza de uma forma muito presente na tela. É inegável que é um filme para meninas, e ela faz isso valer a pena, pois sua atuação não é a protagonista "princesa da disney", esperando o príncipe, ela é a bem sucedida, sexualmente resolvida, focada na carreira, o tipo de personagem que a muito tempo não se via no cinema nacional.


Apesar dos clichês e roteiro medícre, o filme tem seus louros, na ousadia da cineasta, e numa feliz recepção do público pelo longa, é um filme interessante para se ver, e se tratando de cinema nacional é um feliz caminho para a voz das mulheres, o filme deixa uma sensação gostosa quando acaba, quase como uma caminhada por Ipanema, deixando claro a mensagem que quer passar, as diferenças são irresistíveis.

Nota: 6/10




Informações Gerais:
Lançamento: 26 de março de 2015 (1h40min) 

Dirigido por Julia Rezende
Gênero: Drama , Romance

Trailer:

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